Refxão litúrgica – 4º Domingo do Tempo Comum: (Mateus 5, 1 – 12a)
O Evangelho das Bem-aventuranças não é um texto para ser admirado à distância, mas um chamado que desloca e exige decisão. Quando Jesus sobe a montanha e se senta para ensinar, inaugura um modo novo de viver e de se relacionar com Deus, com o próximo e com o mundo. Ali começa a se revelar o coração do Reino: não como ideia abstrata, mas como caminho concreto de vida.
Jesus proclama que felizes não os bem-sucedidos segundo os critérios do poder, mas os pobres em espírito, os que choram, os mansos e os que têm fome e sede de justiça. Não há romantização da miséria nem elogio da passividade, mas a afirmação de que o Reino nasce da dependência de Deus, da sensibilidade diante do sofrimento humano e da recusa em absolutizar riqueza, força ou prestígio.

As Bem-aventuranças revelam que o Reino pertence aos misericordiosos, aos puros de coração, aos que promovem a paz e àqueles que assumem a justiça como critério de vida. Trata-se de um projeto que rompe com a indiferença, com o moralismo sem vida e com uma fé confortável. Jesus declara bem-aventurado quem escolhe relações restauradas, integridade interior e compromisso concreto com a paz que não foge do conflito, mas o atravessa com verdade e amor.
Por fim, bem-aventurados os pobres de espírito e bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça. O pobre de espírito é aquele que não se sustenta em privilégios, cargos ou seguranças artificiais; por isso, ao escolher viver a justiça do Reino, acaba inevitavelmente perseguido. Seguir Jesus tem consequências, e a perseguição não é buscada, mas torna-se sinal de fidelidade quando nasce da coerência com a justiça do Evangelho.
Quem vive as Bem-aventuranças não será aplaudido por todos, porque o Reino incomoda, questiona poderes estabelecidos, desestabiliza falsas seguranças e expõe incoerências, inclusive dentro da própria Igreja.
As Bem-aventuranças não são uma promessa distante para depois da morte, mas um programa de vida para agora. Elas nos interrogam, sem suavizar o tom: em que Reino estamos investindo nossas forças? No Reino de Deus, que começa nos pobres, nos mansos e nos misericordiosos, ou nos pequenos reinos do ego, da conveniência, da vaidade e do medo?
Quem escuta esse Evangelho e permanece ileso não o escutou de verdade, porque Jesus, ao proclamar felizes os que o mundo chama de fracassados, redefine sucesso, felicidade e sentido da vida. E nos convida e
nos provoca a decidir se queremos apenas admirar a montanha ou subir com Ele.
Um santo domingo para você e sua família!
Paz e Bem!
Juarez Fernandes (Especialista em Cristologia e Membro do Conselho Fiscal da Rádio Alvorada)