Ver e acreditar: o nascimento da fé pascal

Ver e acreditar: o nascimento da fé pascal


Reflexão Liturgia Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor – Evangelho segundo São João 20, 1 – 9

Maria Madalena chega ao sepulcro cedo, quando ainda estava escuro, sem grandes explicações, apenas o gesto simples de quem volta a um lugar marcado pela saudade. Ao se aproximar, percebe algo inesperado: a pedra foi retirada; não há anúncio, não há voz, apenas um sinal que rompe o silêncio, e diante disso ela não permanece ali, ela corre. Às vezes, é assim que tudo começa: não com respostas, mas com algo que nos desloca.


Ela procura Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e compartilha o que viu, ainda sem compreender. A notícia é carregada de incerteza: não se sabe o que aconteceu, apenas que algo mudou, e então os dois saem em direção ao sepulcro e não caminham devagar mas corriam. Há urgência, há inquietação, há o desejo de ver com os próprios olhos, pois a fé muitas vezes começa nesse movimento, nesse impulso de buscar.


O outro discípulo chega primeiro, não entra mas se inclina e observa de fora, e Pedro ao chegar entra diretamente. São atitudes diferentes diante do mesmo mistério, um que espera e contempla; o outro avança e investiga; mas o Evangelho não julga nenhum dos dois, apenas mostra que cada um se aproxima de forma própria. Também hoje, cada pessoa tem seu jeito de se aproximar de Deus, seu tempo, sua forma de compreender.


Dentro do sepulcro, não há o que se esperava encontrar. Os panos estão ali, e o sudário dobrado à parte; ali não há desordem, não há ruptura, mas há sinal de que a vida venceu sem violência. Tudo está no lugar, mas, ao mesmo tempo, nada é como antes, não há sinais de pressa e nem de violência; o cenário não aponta para perda, mas para algo que aconteceu de maneira silenciosa e profunda. É um vazio que não é ausência, mas convite à percepção.


Então o outro discípulo entra, vê e acredita com um olhar que se transforma em fé, e antes mesmo de compreender plenamente, ele confia. É como se o coração reconhecesse antes da razão alcançar, havendo momentos em que a fé nasce assim: discreta, interior, mas decisiva.


Mas esse mistério não fica fechado no sepulcro, nem restrito à experiência dos primeiros discípulos. Assim como Pedro, o discípulo amado e a própria Maria Madalena que correram, buscaram e se tornaram testemunhas, também nós somos convidados a esse caminho. Ser testemunha do Cristo VIVO não é apenas afirmar uma verdade, mas viver de modo diferente deixando que essa vida nova transforme nossas atitudes e nosso olhar. Isso implica não permanecer preso às próprias “sepulturas”, medos, culpas e desesperanças, mas acreditar que Deus continua agindo e aprender a reconhecer sinais de vida mesmo nas situações mais difíceis.

Feliz e abençoada Páscoa !


Paz e Bem
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada