Reflexão Litúrgica – 21º Domingo do Tempo Comum – Ano A
O Evangelho nos coloca diante de uma pergunta que continua muito atual: quem é Jesus para nós? Jesus não quer apenas saber o que as pessoas dizem sobre Ele, mas deseja conhecer a fé daqueles que caminham ao seu lado, e Pedro responde com firmeza: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Essa profissão de fé revela que Pedro não reconhece Jesus apenas como um mestre, mas como o Cristo, o Messias enviado pelo Pai para realizar a salvação.
A resposta de Pedro mostra que a fé é também um dom de Deus e nasce de uma experiência verdadeira de encontro com Cristo. Por isso, a catequese não pode ser apenas transmissão de conteúdo ou preparação para os sacramentos, mas deve ajudar cada pessoa a conhecer Jesus, escutar sua Palavra e chegar a uma profissão de fé que transforme sua vida. O catequista, nesse caminho, tem a missão de acompanhar, orientar e testemunhar, ajudando cada catequizando a compreender que conhecer Cristo significa também escolher segui-lo e assumir seus ensinamentos.

Ao entregar a Pedro as chaves do Reino, Jesus confia-lhe uma missão que deve ser compreendida como serviço e responsabilidade, e não simplesmente como poder pessoal. Essa missão está ligada ao cuidado e à condução da comunidade, pois toda autoridade dentro da Igreja encontra seu verdadeiro sentido quando está a serviço do povo de Deus. A Igreja recebe de Cristo a tarefa de anunciar o Evangelho, celebrar a fé, acolher as pessoas e cuidar especialmente daqueles que mais precisam, tornando-se sinal da presença de Cristo no mundo.
Esse Evangelho também nos recorda que não basta dizer que acreditamos em Jesus, pois nossa fé precisa aparecer em nossas atitudes, no modo como acolhemos, perdoamos, ajudamos e nos colocamos ao lado dos que sofrem. Podemos professar com os lábios que Jesus é o Cristo e, ao mesmo tempo, viver de maneira distante daquilo que Ele ensinou, por isso uma Igreja verdadeiramente missionária precisa examinar constantemente seu testemunho. Não basta falar de Cristo, é necessário que nossas comunidades revelem Cristo através da caridade, da misericórdia, do serviço e do compromisso com a vida.
A missão não pertence somente aos padres, diáconos, religiosos ou catequistas, mas a todos os batizados que são chamados a testemunhar Cristo na família, no trabalho, na sociedade e nos diversos ambientes onde vivem. Por isso, a catequese precisa formar discípulos missionários, pessoas que não apenas conheçam os ensinamentos da Igreja, mas que sejam capazes de colocá-los em prática através da caridade, da solidariedade, do perdão e do serviço. O encontro com Cristo nos conduz à profissão de fé, a profissão de fé nos leva ao compromisso, e o compromisso nos envia para a missão.
Diante de Jesus, a pergunta feita a Pedro também é dirigida a nós e à nossa comunidade. Se realmente reconhecemos Cristo como o Filho do Deus vivo, precisamos permitir que essa fé transforme nossas escolhas, nossas relações e nosso modo de servir, para que aquilo que professamos com os lábios seja confirmado por aquilo que fazemos.
Que nossa comunidade possa olhar para sua própria caminhada e assumir com coragem o chamado de ser uma Igreja acolhedora, catequética, servidora e missionária: quem é Jesus Cristo para nós em nossas escolhas, atitudes e compromissos? Como estamos vivendo juntos a missão de anunciar e testemunhar o Evangelho? De que maneira podemos fortalecer nossa comunidade para que nossa fé em Cristo se torne cada vez mais concreta no serviço, na acolhida e na missão?
Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia, Missiologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada