A vinha é de Deus, mas onde estão os nossos frutos?

A vinha é de Deus, mas onde estão os nossos frutos?

Reflexão Litúrgica – 27º Domingo do Tempo Comum – (Mateus 21,33-43)

A parábola dos vinhateiros, narrada por Jesus, nos coloca diante da responsabilidade por aquilo que Deus confia às nossas mãos. O proprietário prepara a vinha, cuida de tudo e a entrega aos agricultores esperando que, no tempo certo, ela produza seus frutos. O problema começa quando aqueles homens esquecem que são apenas cuidadores e passam a agir como se fossem donos daquilo que receberam.

Jesus dirige essa parábola especialmente àqueles que receberam a missão de conduzir o povo de Deus, mas não corresponderam ao que lhes havia sido confiado. Os empregados enviados pelo proprietário são rejeitados e maltratados e, por último, também o filho é lançado para fora da vinha e morto, sendo uma imagem forte da rejeição aos enviados de Deus e, finalmente, ao próprio Cristo.

Mas essa Palavra também chega até nós e nos pergunta o que estamos fazendo com a vinha que recebemos. Deus nos confiou dons, oportunidades, pessoas, responsabilidades e, sobretudo, o Evangelho, não para que guardemos tudo para nós mesmos, mas para que produzamos frutos. Pertencer à vinha do Senhor significa assumir compromisso com ela e compreender que a fé também exige responsabilidade.

Os frutos esperados por Deus aparecem na maneira como vivemos, servimos, perdoamos e tratamos nossos irmãos, o que não basta conhecer o Evangelho ou professar a fé se isso não encontra espaço em nossas escolhas e atitudes de cada dia. Nosso compromisso com o Reino de Deus precisa produzir frutos de justiça, misericórdia, fraternidade, partilha e cuidado com aqueles que mais necessitam.

Jesus ainda recorda que “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”, mostrando que aquilo que os homens rejeitaram Deus transformou em fundamento. Cristo é essa pedra sobre a qual precisamos construir nossa vida, nossa fé e também nossa maneira de servir. Quando Ele deixa de ocupar o centro, corremos o risco de cuidar da vinha segundo nossos próprios interesses e esquecer para quem estamos trabalhando.

O Evangelho de hoje, portanto, não permite uma fé acomodada ou vivida apenas nas palavras, pois trabalhar na vinha do Senhor é assumir que o Reino de Deus também passa pela nossa disponibilidade em transformar aquilo que recebemos em serviço, amor e cuidado com o próximo. Deus continua confiando sua vinha a nós e continua esperando que nossa vida produza frutos.

Neste dia 4 de outubro, celebramos São Francisco de Assis, alguém que compreendeu profundamente que seguir Cristo significava viver e praticar o Evangelho, colocando sua vida a serviço dos pobres, dos pequenos e da fraternidade. Celebrar São Francisco não é apenas recordar um santo admirável do passado, mas permitir que seu testemunho nos coloque diante da mesma vinha que Deus continua confiando a cada um de nós, chamados também a fazer da própria vida um sinal do Reino.

Meditemos: Que frutos estamos produzindo na vinha que Deus nos confiou? Nosso compromisso com o Evangelho aparece verdadeiramente em nossa maneira de viver? Estamos dispostos, como São Francisco, a colocar nossa vida a serviço do Reino de Deus?

Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia, Missiologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada