Reflexão Litúrgica – 24 e 25/01: (Mateus 4, 12-23) – 3º Domingo do Tempo Comum
O início da missão de Jesus acontece longe do poder, à beira de um lago, entre barcos simples e mãos marcadas pelo trabalho. A Galileia se torna o lugar onde a luz rompe as sombras, e o Evangelho não nasce no extraordinário, mas no cotidiano.
Hoje, nossa Galileia são os espaços da rotina: família, estudo, trabalho, conflitos, responsabilidades, e comprometer-se com o Evangelho é permitir que Cristo entre nesses lugares onde a vida acontece.
Jesus encontra homens dentro de barcos, ocupados com redes; o barco representa nossas seguranças: estruturas, profissão, projetos, títulos, zonas de conforto; as redes simbolizam o que nos sustenta e nos prende: hábitos, afetos, medos, ambições, controles, expectativas.
O compromisso começa quando Jesus sobe nesse “barco interior” e nos faz rever onde ancoramos a vida.

O chamado é direto: segui-me. E com ele vem lançar as redes de outro modo, e hoje lançar as redes é expor a própria vida à lógica do Reino: perdoar em vez de se vingar, servir em vez de se impor, ser honesto quando a vantagem se oferece, defender a vida quando o mundo normaliza o descarte. É colocar tempo, dons, profissão, voz e presença a serviço do bem.
Quando os discípulos deixam redes e barco, não abandonam a vida: eles a ressignificam. O Evangelho não destrói a história pessoal, mas a converte em missão, tornando o barco espaço de encontro, passando as redes a gerar vida. Onde Jesus passa, nada fica neutro; tudo ganha sentido.
O compromisso com o Evangelho se prova quando deixamos Cristo entrar nas estruturas que nos sustentam e nos prendem. Segui-Lo é confiar que, quando o Reino se torna prioridade, até o cotidiano se transforma em salvação e luz.
Mateus nos leva a meditar: qual é hoje o meu barco? Quais são as minhas redes? Onde Jesus me pede para lançar de novo?
Um santo domingo para você e sua família!
Paz e Bem!
Juarez Fernandes (Especialista em Cristologia e Membro do Conselho Fiscal da Rádio Alvorada)