No relato deste Evangelho de Mateus, iniciamos a semana Santa, com a entrada de Jesus em Jerusalém de um modo que, à primeira vista, parece simples, mas revela algo profundamente transformador. Ele não chega com poder político, nem com sinais de grandeza humana, mas montado em um jumento, cumprindo a profecia (Zacarias 9, 9)e mostrando que o Reino de Deus não se impõe pela força, mas se revela na humildade. Esse gesto já diz tudo: o reinado de Deus não é como os reinos deste mundo.
Ao escolher esse modo de entrar, Jesus ensina que o verdadeiro rei não domina, mas serve. O jumento, animal simples, simboliza um reinado de paz, de proximidade, de despojamento, e com isso, Ele nos mostra que o Reino que traz não se constrói com armas, mas com entrega; não se sustenta na aparência, mas na verdade do coração. É um Reino que começa dentro de nós e se manifesta nas nossas atitudes.

A multidão, naquele momento, reconhece algo especial e grita: “Hosana ao Filho de Davi!”. Há entusiasmo, emoção e esperança, mas é importante entender: muitos ali esperavam um Jesus dos milagres e das soluções imediatas, um Messias forte que mudasse a realidade do povo, porém, Jesus não entra em Jerusalém para tomar o poder mas para entregar a vida. Aqui, o Evangelho nos mostra uma tensão: aquele “Hosana” poucos dias depois se transforma em “crucifica-o”, revelando como o coração humano pode ser instável quando a fé não é profunda.
E essa realidade não está distante de nós. Por muitas vezes, também entre nós, vemos vozes que louvam, mãos que se levantam, celebrações cheias de entusiasmo… mas, ao mesmo tempo, vidas que se esquecem do essencial: o compromisso com o próximo. Jesus não entrou em Jerusalém para receber aplausos, mas para entregar a própria vida; o Reino que Ele anuncia exige coerência, amor concreto, exige sair de si.
O Domingo de Ramos, portanto, não é apenas memória de um acontecimento, mas um convite à conversão. Não basta acolher Jesus com ramos nas mãos, se não estamos dispostos a segui-Lo no caminho da cruz; a verdadeira fé não se mede apenas pelo volume dos nossos louvores, mas também pela verdade das nossas atitudes, especialmente diante daqueles que mais precisam.
Diante disso, fica a pergunta: estamos entre aqueles que apenas aclamam Jesus nos momentos de emoção, ou entre aqueles que permanecem com Ele mesmo quando a fé exige compromisso? E mais: o nosso louvor a Deus se transforma em amor concreto ao próximo, ou fica apenas nas palavras?
Paz e Bem!Juarez Fernandes (Especialista em Cristologia e Membro do Conselho Fiscal da Rádio Alvorada)