Pela Paz: Dia de Unidade de Oração em setembro será dedicado à Terra Santa

Pela Paz: Dia de Unidade de Oração em setembro será dedicado à Terra Santa

No dia 1º setembro, o convite da Comissão para a Ação Missionária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) é para rezar pela paz na Terra Santa. Com a iniciativa mensal, a intenção é fortalecer na Igreja a ação de solidariedade e comunhão.

A Terra Santa é onde ocorre a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, com graves consequências para as populações, especialmente a de Gaza, na Palestina. Os conflitos iniciados em outubro de 2023, nos ataques do Hamas a Israel e, em seguida de Israel à população em Gaza, resultaram em sequestros de israelenses, ataques a civis, praticamente a destruição da faixa de Gaza, bloqueios de ajuda humanitária entre outros resultados que geram comoção de várias lideranças mundiais, tendo pedidos constantes da Igreja, com os Papas Francisco e Leão XIV, para que cessem os conflitos.

“Não é a primeira vez que nos comprometemos com dias de oração e jejum, também no passado foram realizados, e é a única coisa que neste momento podemos fazer: rezar e jejuar, para manter a atenção voltada para Deus, é a única coisa que podemos fazer neste momento para que o coração dos homens mude”, afirmou o patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, sobre o dia de oração convocado pelo Papa Leão XIV na última semana.

A realidade local

Desde 2021, a ACN presente na região identificou a sociedade se tornando mais secularizada, o crescente fundamentalismo e pouca disposição política para acordos de paz. No trabalho da Igreja, havia a busca para mudar a maneira de pensar das novas gerações, de modo a iluminá-los, ensinando-os a serem mais tolerantes, mais receptivos e incutindo neles valores cristãos de amor, tolerância e aceitação.

Neste ano, a ACN tem trabalhado para fortalecer a fé dos cristãos na Terra Santa, por meio de um programa de formação espiritual estruturado, em parceria com o Patriarcado Latino de Jerusalém (LPJ).

A missão da Igreja na região, especialmente em Gaza, está afetada desde o ataque de 17 de julho à Igreja Católica da Sagrada Família, tragédia que deixou três mortos e mais de dez feridos. Nas últimas semanas, há dúvidas sobre a permanência da comunidades no local, devido à aproximação dos ataques e das evacuações.

O pároco da paróquia, padre Gabriel Romanelli, partilhou ao Vatican News que a situação na Faixa de Gaza continua a ser muito grave, pedindo, então, que todos continuem a rezar e trabalhar pela paz.

“As pessoas estão ansiosas, porque, de fato, e infelizmente, os bombardeios continuam em toda a Faixa, particularmente na cidade de Gaza. Portanto, continuam os bombardeios, continuam as mortes, os feridos”, lamenta. Ele ressalta a convicção de que, a continuação da guerra não ajuda na justiça, na reconciliação, na paz. “Não é fácil, mas estamos nas mãos do Senhor e temos fé que, com a ajuda de muitas pessoas boas no mundo, tudo isso, um dia, vai acabar”.

Já em Israel, também há ataques contra cristãos, que incluem cuspes, assédio físico, danos a propriedades e cemitérios, além da interrupção de serviços religiosos. Essas descobertas fazem parte do relatório do Rossing Center, com sede em Jerusalém, intitulado “Ataques contra Cristãos em Israel e Jerusalém Oriental“. A publicação, datada de 2023, analisa o aumento das hostilidades contra igrejas e seus membros. O relatório destacou, nos dados de dois anos atrás, “um aumento preocupante em agressões severas a propriedades e físicas” que enfim impactam as comunidades na Cidade Velha de Jerusalém.

A presença cristã na Terra Santa

De acordo com dados de 2023, notadamente afetados com os conflitos que ocorrem na região desde então, a população da Palestina contava com 0,82% de cristãos, 81,3% de muçulmanos e 12,7 judeus, além de 5,1% de agnósticos.

Em Israel, os cristãos correspondiam a 2%, sendo os judeus a maioria, com 70,7%; seguidos dos muçulmanos, com 20,8%; agnósticos, com 5,2%. Outros grupos religiosos correspondiam, à época, a 1,3% da população.

Apoio aos cristãos da Terra Santa

Regina Lynch, presidente executiva da ACN, reafirmou, recentemente, a solidariedade da fundação com os cristãos da Terra Santa. “Nós, da ACN, reiteramos nosso firme compromisso com os cristãos da Terra Santa e com todas as pessoas inocentes presas no meio do conflito.”

Então ela acrescentou que, além do apoio material, “nossa missão é levantar a voz pelos que não têm voz e ser portadores de esperança para aqueles que mantêm a fé em meio a tanta dor”. Por isso, a ACN continuará acompanhando as comunidades cristãs mais vulneráveis da região por meio de apoio espiritual e ações concretas de ajuda pastoral e emergencial.

Dia de Oração

O Dia de Unidade de Oração é uma iniciativa mensal organizada pela ACN, com a parceria da CNBB, fortalecendo a ação de solidariedade e comunhão. A cada mês, os cristãos serão convidados a se unir em oração por uma nação específica ou região, especialmente aquelas marcadas por conflitos, perseguições religiosas e crises humanitárias.

A parceria entre a CNBB e a ACN fortalece a conexão entre o testemunho cristão e a ação pastoral, convidando todos os fieis a serem agentes de esperança e transformação.