Reflexão litúrgica: O desafio de ser trigo no mundo de hoje

Reflexão litúrgica: O desafio de ser trigo no mundo de hoje

16º Domingo do Tempo Comum – (Mateus 13, 24-43)

A liturgia deste final de semana, nos apresenta um retrato profundamente realista do Reino de Deus. Jesus não descreve um campo perfeito, livre de conflitos, mas um terreno onde o trigo e o joio crescem juntos até o tempo da colheita, pois o Reino acontece no meio das limitações humanas, das ambiguidades da história e das escolhas diárias. Deus continua semeando o bem, mesmo quando o mal parece disputar o mesmo espaço.

A tentação do ser humano é querer arrancar imediatamente tudo aquilo que considera joio. Julgamos pessoas, condenamos histórias e, muitas vezes, esquecemos que somente Deus conhece o coração, e portanto, a paciência do agricultor não revela fraqueza, mas confiança. O Senhor conhece o coração humano e sabe o tempo da conversão de cada pessoa, e devemos nos perguntar, quantas vezes também nós fomos alcançados pela misericórdia de Deus justamente quando alguém já havia desistido de nós?

Jesus continua a explicação apresentando o grão de mostarda e o fermento. O Reino não se impõe pelo espetáculo, pela força ou pelo poder, mas cresce silenciosamente até transformar tudo ao seu redor, em uma palavra de esperança, um gesto de perdão, uma atitude de honestidade ou um serviço prestado com amor podem parecer pequenos diante das grandes crises do mundo. Contudo, é justamente assim que Deus continua transformando a história.

Ao explicar a parábola aos discípulos, Jesus recorda que haverá um tempo em que toda verdade será plenamente revelada, e essa certeza não deve alimentar medo, mas responsabilidade. O discípulo não é chamado a identificar o joio na vida dos outros, mas a produzir frutos de trigo na própria existência. A conversão sempre começa em nós antes de alcançar aqueles que caminham ao nosso lado.

Nos dias atuais, anunciar o Reino de Deus significa resistir à cultura da pressa, do cancelamento e dos julgamentos precipitados; significa reconhecer que, enquanto dura esta vida, Deus não cessa de oferecer sua graça e de chamar cada pessoa à conversão; não desanimar quando o bem parece pequeno diante da violência, da injustiça ou da indiferença. Deus continua agindo, muitas vezes em silêncio, por meio de corações que se deixam transformar pelo Evangelho.

Este Evangelho nos desafia a deixar de ser apenas espectadores da ação de Deus para nos tornarmos colaboradores da sua obra. O Reino não espera por condições ideais para acontecer; ele começa onde alguém decide viver o amor, a verdade e a misericórdia. Ser trigo no mundo de hoje é permitir que a própria vida revele Cristo e inspire outros a acreditar que o Reino de Deus já está acontecendo entre nós.

Meditemos:

  • Temos gastado mais tempo julgando o “joio” na vida dos outros ou cultivando o “trigo” que Deus deseja fazer crescer em nós ?
  • Quais pequenos gestos concretos podemos realizar hoje para que o Reino de Deus se torne mais visível na nossa família, na Igreja e na sociedade?

Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada