Maria do Advento

Maria do Advento

Maria do Advento é a mulher da espera que não acaba no presépio. Viveu o primeiro Advento, quando o Filho de Deus tomou carne em seu ventre (encarnação), e vive agora conosco o segundo Advento (parusia) o tempo da esperança que aguarda o retorno glorioso de Cristo.

Jesus veio até nós trazendo a manifestação e o Reino do Pai, e precisamos acolher o mistério da Encarnação que transforma o tempo em salvação e faz da nossa vida um Advento permanente. Por isso, Maria permanece presente, paciente e atenta, chamando-nos a preparar o caminho do Senhor que vem de novo.

Maria do Advento é o rosto da Igreja que vela, reza e confia, e nos ensina que o advento não é apenas um tempo litúrgico, mas uma atitude de alma: viver em constante abertura à vinda de Cristo. Enquanto muitos se perdem nas distrações do mundo, Ela permanece em pé, lembrando que o Senhor virá — não para assustar, mas para salvar. O primeiro Advento foi o da Encarnação; o segundo Advento é a consumação na eternidade, ou seja, a plena realização de tudo o que Deus iniciou na Encarnação e consumou na Cruz, quando o amor venceu o pecado e a morte, abrindo para nós o caminho da vida eterna.

Entre o “Ele veio” e o “Ele virá”, Maria é a ponte da esperança, sustentando em suas mãos o fio da fé que atravessa os séculos; e não se cansa de ensinar seus filhos a confiar na promessa do Filho. Entre a fé que espera e a fé que se move, Maria nos ensina que o Advento não é imobilidade mas caminho, e quem crê que o Senhor virá não se fecha em si mesmo, mas prepara o mundo para acolhê-Lo. Nela, a esperança se torna concreta, porque o amor que aguardava fez-se gesto, cuidado e presença, assim, a mulher da promessa é também a mulher da missão; aquela que, movida pelo Espírito, leva a alegria do Evangelho aos corações cansados e às casas esquecidas.

Nossa Mãe Maria do Advento convoca a Igreja e a nós, o povo de Deus, a sair de si, a ir ao encontro dos que sofrem e a anunciar com a vida que Cristo vem sempre ao encontro dos pobres e dos esquecidos, mas nossa mãe não apenas consola, ela também desperta. Sua presença entre os humildes é consolo para os feridos, mas sua voz ecoa o cântico do Magnificat — que não é um cântico piedoso, mas um grito de justiça: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes” (Lc 1,52).
Com esse canto, Maria recorda à Igreja que a fé verdadeira não se acomoda diante da injustiça, e a espera cristã não é neutra: é profecia que denuncia o egoísmo, o acúmulo e a indiferença que ferem o rosto de Cristo nos pequenos.

Maria nos ensina que esperar o Senhor é agir e transformar a espera em missão, a fé em serviço e o amor em justiça. Quem ama o Senhor que vem, trabalha desde já para que o mundo se torne lugar de paz, fraternidade e esperança. Maria do Advento é também Maria do Maranata, a Mãe que une sua voz à da Igreja e sussurra conosco: “Vem, Senhor Jesus.” E até que Ele venha, Ela continua a dizer, como no primeiro dia: “Faça-se em mim segundo a tua palavra.”

Oremos: Maria do Advento, nossa Mãe da esperança e da promessa cumprida, ensina-nos a esperar com o coração aberto. Que saibamos reconhecer as chegadas de Deus nas pequenas coisas de cada dia. Ajuda-nos a preparar o caminho do Senhor dentro de nós e ao nosso redor. Que o nosso sim, como o Teu, revele de novo o rosto de Cristo, mantenha viva a Sua presença no mundo e renove em nós o compromisso fiel com o Evangelho, até o dia em que Ele voltará em glória. Nossa Mãe do Advento, faz-nos viver com fé, vigiar com amor e caminhar na paz, até que se cumpra o Teu eterno canto: “O Senhor vem. Maranata!” Amém!

Paz e Bem!

Juarez Arnaldo Fernandes (JF)
Especialista em Cristologia pelo Centro Universitário Claretiano e Membro do
Conselho Fiscal da Rádio Alvorada