Quem Jesus espera enviar?

Quem Jesus espera enviar?

Reflexão Litúrgica – 11º Domingo do Tempo Comum – (Mateus 9,36–10,8)

No Evangelho de Mateus, Jesus contempla a multidão e não vê apenas pessoas reunidas, mas enxerga histórias, sofrimentos, medos e esperanças, atravessando Seu olhar as aparências e alcança o coração de cada um. Por isso, sente compaixão, porque percebe que muitos vivem como ovelhas sem pastor, necessitando de orientação, cuidado e sentido para a vida.

A resposta de Jesus diante dessa realidade não é a indiferença nem a simples constatação dos problemas. Ele convida seus discípulos a rezarem para que o Senhor envie trabalhadores para a sua messe; antes de qualquer ação, nasce a oração; antes de qualquer missão, surge a consciência de que a obra pertence a Deus e que somos chamados a colaborar com ela.

Em seguida, Jesus envia os Doze, não porque são perfeitos, mas porque estão dispostos a caminhar com Ele. A missão cristã nunca foi privilégio de pessoas extraordinárias, pois ela nasce do encontro com Cristo e se fortalece na disposição de servir. Quem experimenta o amor de Deus torna-se também instrumento desse amor para os outros.

A missão não nasce da obrigação, da busca por reconhecimento ou do desejo de convencer alguém, mas de um coração que aprendeu a se compadecer. Quem não se deixa tocar pela dor do próximo pode até falar de Deus, mas dificilmente revelará o rosto misericordioso de Cristo. O discípulo é chamado não apenas a anunciar o Reino, mas a tornar presente o amor de Deus através de sua presença, de suas palavras e de suas atitudes.

É comum olharmos para o mundo e percebermos a falta de testemunhos, de líderes e de pessoas comprometidas com o bem. No entanto, o Evangelho de hoje nos convida a uma pergunta mais exigente: quando Jesus fala da necessidade de trabalhadores para a messe, estaria falando apenas dos outros? Muitas vezes rezamos para que Deus envie alguém, enquanto Ele talvez esteja nos chamando a dar o primeiro passo, justamente onde estamos e com as pessoas que coloca em nosso caminho.

A messe continua grande, e o Senhor continua chamando homens e mulheres dispostos a levar sua luz aos caminhos do mundo. A questão não é apenas quem será enviado, mas quem está disposto a responder. Quando vejo o sofrimento, a fragilidade ou os erros dos outros, meu primeiro movimento é julgar ou me compadecer? Minha presença tem sido sinal da misericórdia de Deus para aqueles que encontro pelo caminho?

Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada