Quem ocupa o primeiro lugar: Deus ou os seus medos? (Reflexão Litúrgica 12º Domingo do Tempo Comum)

Quem ocupa o primeiro lugar: Deus ou os seus medos? (Reflexão Litúrgica 12º Domingo do Tempo Comum)

Reflexão Litúrgica 12º Domingo do Tempo Comum (Mateus 10,26-33)

O Evangelho que meditamos neste final de semana, nos coloca diante de uma verdade que, muitas vezes, preferimos evitar: o medo tem uma força enorme sobre nossas decisões. Quantas vezes silenciamos nossa fé, escondemos nossas convicções ou deixamos de fazer o bem porque tememos julgamentos, críticas ou rejeições? Jesus conhece essa fragilidade humana e, por isso, repete por três vezes: “Não tenhais medo”. Não é uma ordem dura, mas um convite amoroso à confiança.

Mas o Senhor vai ainda mais longe, nos ensina a colocar cada realidade em seu devido lugar quando afirma: “Não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma”. Em um mundo que valoriza tanto a aparência, o sucesso, o reconhecimento e a segurança material, Jesus recorda que existe algo infinitamente mais precioso: a vida da alma. O corpo é passageiro; a alma é chamada à eternidade, por isso, o maior perigo não é perder algo nesta vida, mas perder aquilo que nos une a Deus.

Cristo nos recorda que nada permanece escondido para sempre, e a verdade, cedo ou tarde, encontra seu caminho, pois aquilo que é vivido com autenticidade diante de Deus não depende da aprovação das pessoas para ter valor. O discípulo não pode construir sua vida apenas sobre o que os outros pensam dele, mas sobre aquilo que Deus sabe a seu respeito.

Quando Jesus fala que até os cabelos de nossa cabeça estão contados, revela um Deus que conhece cada detalhe da nossa existência. Não somos números, estatísticas ou peças substituíveis, mas seus filhos amados. Essa certeza deveria transformar a maneira como enfrentamos as dificuldades, porque quem sabe que é amado encontra forças para permanecer firme mesmo quando tudo ao redor parece contrário.

O Evangelho traz ainda uma pergunta silenciosa e desconfortável: o que tem ocupado o primeiro lugar em nossa vida? Muitas vezes temos medo de perder bens, posição, amizades ou prestígio, mas não demonstramos a mesma preocupação quando corremos o risco de nos afastar de Deus. Jesus nos convida a rever essa escala de valores e a compreender que a verdadeira liberdade nasce quando nada vale mais do que permanecer fiel ao Senhor.

Por fim, Cristo declara que reconhecerá diante do Pai aqueles que o reconhecerem diante dos homens. A fé não pode ser apenas uma convicção íntima; ela precisa tornar-se testemunho, não sendo o discípulo chamado a viver sem dificuldades, mas a viver sem negociar sua alma. Quem confia em Deus descobre que há perdas que não empobrecem e fidelidades que valem mais do que qualquer conquista passageira.

Meditemos: O que hoje ocupa mais os seus pensamentos: as preocupações com aquilo que é passageiro ou o cuidado com aquilo que é eterno? Se alguém observasse suas escolhas diárias, conseguiria perceber que Deus ocupa o primeiro lugar em sua vida?

Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada