Na parábola das dez virgens, Jesus fala sobre a espera e a preparação para o encontro com Ele. Dez jovens aguardavam a chegada do noivo, todas com suas lâmpadas, mas somente cinco tiveram o cuidado de levar óleo de reserva. Todas esperavam a mesma pessoa, porém nem todas estavam preparadas para uma espera mais longa.
Há um detalhe nessa passagem que merece nossa atenção: todas adormeceram enquanto o noivo demorava. Quando chegou a hora de recebê-lo, apenas as que haviam levado óleo suficiente conseguiram manter suas lâmpadas acesas. Jesus nos mostra que estar vigilantes não significa viver preocupados com o futuro, mas cuidar da nossa fé enquanto temos tempo.
Podemos compreender o óleo, nessa reflexão, como uma imagem da fé que precisa ser alimentada pela graça de Deus, pela oração, pela Palavra e pela caridade. Não basta conhecer o Evangelho ou participar de celebrações se aquilo que ouvimos não encontra espaço em nossa maneira de viver. Assim como as lâmpadas precisavam de óleo, também precisamos cultivar nossa relação com Cristo para que a fé não se enfraqueça diante das dificuldades.

Quando as jovens despreparadas pediram óleo às outras, já não havia tempo para resolver o que havia sido deixado para depois. Isso não significa que Jesus esteja nos ensinando a negar ajuda a quem precisa, mas que existem escolhas que ninguém pode fazer por nós. Podemos caminhar juntos, apoiar uns aos outros e partilhar nossa fé, mas a resposta ao chamado de Deus também depende de cada um de nós.
A chegada do noivo e a porta que se fecha nos lembram que o encontro com Cristo é algo que devemos levar a sério. Muitas vezes deixamos para depois uma mudança de atitude, um pedido de perdão ou uma aproximação maior de Deus, como se sempre tivéssemos outra oportunidade. Na oração, na escuta da Palavra e nos sacramentos, encontramos a graça que nos fortalece e nos ajuda a responder ao seu chamado.
Ao final, Jesus nos pede que permaneçamos vigilantes, pois não sabemos o dia nem a hora. Essa vigilância acontece na vida de todos os dias, na maneira como tratamos as pessoas, nas escolhas que fazemos e no amor que somos capazes de oferecer. Manter nossas lâmpadas acesas é procurar viver hoje a fé que professamos, sem deixar para amanhã aquilo que Cristo nos chama a fazer.
Meditemos: Estamos cuidando da nossa fé ou temos deixado nossa caminhada com Cristo para quando sobrar tempo? O que temos adiado em nossa vida que já deveria fazer parte da nossa conversão? Se o Senhor viesse ao nosso encontro hoje, como encontraria nossas lâmpadas?
Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia, Missiologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada