Padre Pio: quando Cristo é o centro de tudo

Padre Pio: quando Cristo é o centro de tudo

Padre Pio de Pietrelcina viveu o sacerdócio sem procurar grandeza para si, e está aí uma das coisas mais bonitas de sua vida, porque, filho de São Francisco, permaneceu ligado à simplicidade, à oração, à pobreza e à obediência, mesmo quando milhares de pessoas passaram a procurá-lo. Ele mesmo queria ser apenas um pobre frade que reza, um sacerdote entregue a Cristo e nada mais.

Sua vida também foi marcada por um combate espiritual muito duro, com tentações, sofrimentos interiores e enfrentamentos contra as forças do mal. Mas Satanás nunca ocupou o centro de sua vida, porque o centro era Cristo, e por isso gosto de pensar que um dos seus maiores exorcismos acontecia no confessionário, quando uma alma deixava o pecado e voltava para Deus. Ali não havia espetáculo, havia confissão, arrependimento, misericórdia e uma alma que começava de novo.

Se o confessionário foi lugar de combate e misericórdia, o altar foi o coração de sua vida sacerdotal. Padre Pio amava profundamente a Eucaristia e celebrava a Santa Missa sabendo que o sacerdote não está ali para aparecer, mas para servir ao Mistério que celebra. O presbitério não é palco e o altar não é lugar de show, porque ali CRISTO deve estar no centro, e não a pessoa daquele que celebra.

Esse amor por Cristo também aparecia fora da igreja, principalmente diante dos pobres, dos doentes e daqueles que sofriam. A Casa Alívio do Sofrimento nasceu desse coração, não apenas como um hospital, mas como um lugar onde a dor humana deveria encontrar cuidado, dignidade, ciência e caridade. Padre Pio sabia que não faria sentido se ajoelhar diante da Eucaristia e depois passar indiferente diante de Cristo ferido no irmão.

Uma das maiores provas de seu amor pela Igreja aconteceu justamente quando ele sofreu dentro dela, quando foi investigado, recebeu restrições e passou por momentos que certamente lhe custaram muito. Mesmo assim não fez da própria dor uma bandeira contra a Igreja, não se colocou acima dela e não transformou o sofrimento em revolta; permaneceu, sofreu e obedeceu. E havia ainda Maria, sempre presente em sua oração, com o Rosário tantas vezes em suas mãos, como quem sabia que uma vida verdadeiramente entregue a Cristo também aprende a caminhar perto de sua Mãe.

A vida de Padre Pio ainda fala muito à Igreja de hoje, justamente porque aponta novamente para aquilo que é essencial. Menos desejo de aparecer, menos protagonismo, menos barulho, e mais oração, mais confissão, mais Eucaristia, mais caridade, mais Rosário e mais Cristo. Ele não precisou construir grandeza para o próprio nome, preferiu a simplicidade de um franciscano que se ajoelha diante de Deus, se inclina diante de quem sofre e entrega a vida para ajudar uma alma a voltar para Cristo.

Se Padre Pio hoje ainda caminhasse entre nós em sua vida terrena, é possível imaginar que dissesse aos seus devotos para não pararem nele, mas irem a Cristo, para voltarem ao confessionário, à Eucaristia, ao rosário, à oração silenciosa e à caridade com quem sofre. E certamente seu próprio testemunho nos lembraria que a fé não precisa de espetáculo para ser verdadeira, que o altar não precisa de protagonistas, que o confessionário não é lugar para justificar o pecado, mas para reconhecê-lo, abandoná-lo e recomeçar na graça, e que a melhor homenagem a um santo não é apenas falar sobre ele, mas tentar viver aquilo que ele viveu: permanecer em Cristo, com Ele no centro de tudo, na Igreja, até o fim.

Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia, Missiologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada