Reflexão litúrgica: 6º Domingo da Páscoa (João 14, 15 – 21)
No Evangelho de João deste final de semana, Jesus revela que o amor verdadeiro nunca permanece apenas nas palavras, mas amar a Deus significa assumir um compromisso concreto com sua Palavra, seus mandamentos e sua missão. Quando Cristo afirma: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”, não apresenta uma imposição fria, mas um convite profundo para uma relação transformadora com Deus, nascendo a fé cristã justamente dessa resposta amorosa, capaz de fazer do coração humano um espaço de acolhida do Reino de Deus.
O Reino anunciado por Cristo não se constrói pela força, pela aparência ou pelo poder humano, mas nasce silenciosamente na vida daqueles que aprendem a viver a misericórdia, a justiça, a verdade e a caridade. Jesus também promete que não deixaria seus discípulos sozinhos, pois o envio do Espírito Santo, o Paráclito, revela que a presença de Deus continua viva na história humana, sustentando a Igreja, fortalecendo os que sofrem e conduzindo os cristãos na missão de anunciar o Evangelho em todos os tempos.

A missão iniciada por Jesus continua em cada homem e mulher que escolhe viver o Evangelho de forma concreta, promovendo a paz, acolhendo quem sofre, estendendo a mão ao pobre e permanecendo fiel à verdade mesmo diante das dificuldades. O Evangelho não pertence apenas às páginas da Escritura; ele ganha rosto nas atitudes diárias daqueles que permitem que Cristo habite em suas escolhas, palavras e ações.
Em meio às incertezas, ao individualismo e às feridas sociais do tempo presente, a mensagem de Cristo continua profundamente necessária. Muitas pessoas vivem marcadas pela solidão, pela dor e pela perda de sentido, por isso, o Evangelho permanece como fonte de esperança, recordando a promessa de Jesus: “não vos deixarei órfãos”. Essa certeza sustenta a fé da Igreja e renova a confiança de que Deus continua caminhando ao lado de seu povo, mesmo nas noites mais difíceis da humanidade.
A continuidade do projeto de Cristo também se manifesta na missão evangelizadora da Igreja. Evangelizar não é apenas anunciar palavras religiosas, mas tornar visível a presença de Deus através da vida. Quando os cristãos promovem a paz, defendem a dignidade humana, vivem a caridade e testemunham a compaixão, fazem florescer o Reino de Deus no coração da sociedade, sendo este o Evangelho que estamos meditando, permanecendo assim, como um chamado permanente à fidelidade, ao amor e à esperança.
Diante dessa Palavra, somos convidados a olhar para nossa própria caminhada. Temos vivido apenas uma fé de aparência ou uma fé capaz de transformar nossa vida e a vida das pessoas ao nosso redor? O Evangelho de Cristo realmente ocupa o centro de nossas escolhas e do compromisso que assumimos com o Reino de Deus?
Paz e Bem!
Juarez Fernandes – Especialista em Cristologia e Vice-diretor financeiro da Rádio Alvorada